O mundo gira, as coisas se transformam. E tenho que dizer sorte
a nossa. Imagina, se os dias não passassem. Se ao acordar aquele pesadelo não
tivesse ido embora. Se ele não tivesse sumido da sua vida, se outros não
tomassem aquele vazio. Das festas perdidas, e as recuperadas também. De
amores platônicos, histórias repentinas. De outras tantas que você viveu, nem
que só por uma noite. E que com o tempo, você tenha mudado seu conceito de
amor. De paixão, carinhos. Tivesse desfeito as histórias encantadas e construído
um mundo de razão. Algumas conseguiram ladrilhar, blindar o coração. Um muro
mais espesso que o de Berlin e sem dúvidas com mais fiscalização. Tudo isso por
medo de viver. Mas uma história de amor só é uma história de amor se for ao
mesmo tempo para as duas pessoas. Ninguém pode viver o amor da sua vida
sozinho. Nem se contiver todos os sentimentos do planeta em si mesmo. Ninguém.
Não nascemos para viver só. Está no DNA, no RNA, no que for. Tá no sangue. Não
tem como não tocar o coração, escutar uma música romântica. E não ter ninguém.
Mas é que a gente sofre quando tem as expectativas devastadas... Todo mundo
sofre. Acho que o mais difícil é assumir nosso sofrimento com dignidade e
reaprender a continuar da melhor forma que puder. Sem se desrespeitar, se
humilhar ou perder o amor-próprio... Sei lá. Lembrar do passado com boas
lembranças. Rir daquele cafajeste, que só te fez andar pra trás. Rir da sua
blusa que ficou transparente com a chuva que caiu rir do mundo que deu voltas e
te colocou justo no mesmo elevador que a sua primeira paixão. Sabe-se lá, se o
moço que escreve as histórias de todo mundo não tirou férias e por isso uma vez
ou outra tudo começa a dar errado. Quem não deveria te ligar, liga. Quem
deveria tomar um chá de sumiço resolve aparecer na tua frente justo nas horas
inapropriadas. O mundo gira, a lua que vejo hoje pode ser a mesma de alguém lá
na ilha do Caribe, mas não será a mesma lua do mês seguinte. Coincidências que
te perseguem, amores que te fazem sorrir, histórias que deveriam permanecer
apenas nos livros. As nuvens brancas que te assistem lá de cima, os dias, os
meses, o ano. Porque é para isto que vivemos: para descobrir a eternidade
que têm as coisas perecíveis: eternidade que está em nós.
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